Até quando o governo vai dar descaso,esperar que um mate os outros

O descaso do Governo Federal aliado a morosidade da Justiça em julgar processos e fazer valer as suas próprias decisões, voltou a provocar invasões de terras por parte de indígenas e deixar o clima tenso na região Cone Sul do Estado, em Mato Grosso do Sul.
Várias áreas de terras situadas na região sul do Estado são reivindicadas por etnias indígenas sob alegação de serem terras tradicionais de seus antepassados.
Há duas semanas, cansados de aguardar pela decisão final da Justiça Federal e pela promessa, até o momento não cumprida, do Governo Federal em buscar uma solução definitiva para a questão, indígenas guarani-ñhandeva começaram a invasão gradativa de quatorze propriedades rurais situadas na divisa de Japorã com Iguatemi, no município de Japorã.
A área ocupada é a mesma invadida em 2003, que resultou em confrontos, inclusive à bala, entre produtores rurais e indígenas, deixando pessoas feridas dos dois lados.
Os indígenas reivindicam as terras, entre elas fazendas hoje destinadas a agricultura e a pecuária e até mesmo pequenos sítios doados pelo próprio Governo Federal através do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), dentro de programas de reforma agrária, como sendo áreas pertencentes a seus antepassados. Eles denominam as áreas como sendo as aldeias, Campo Limpo e Yvy Katu.
Na época da primeira invasão, após provocarem um rastro de destruição, matando animais e danificando sedes e instalações das propriedades rurais, os indígenas deixaram as propriedades mediante a promessa da Justiça de apontar uma solução definitiva para a questão, feito que até hoje, dez anos mais tarde, não aconteceu.
A nova invasão em Japorã
De acordo com os produtores rurais que tem propriedades na área ocupada pelos indígenas, a nova invasão foi bem orquestrada, inclusive com boa estrutura logística, tendo em vista que todos os barracos foram construídos com lonas novas.
Sem enfrentarem reação por parte dos produtores, os indígenas avançaram rapidamente, tomando propriedades inteiras, expulsando funcionários e proibindo a entrada dos próprios donos nas suas terras.
Com acesso negado as suas próprias propriedades, vários produtores rurais estão sem noticias sobre como estão suas sedes e os animais.
Os proprietários da Fazenda Chaparral, uma das áreas invadidas, conseguiram liminar na Justiça para realizar o manejo do rebanho, já que os bebedouros da propriedade são mantidos abastecidos por meio de bomba d’água.
Eles, com a equipe de funcionários, que tiveram que deixar suas casas às pressas no ato da invasão, só conseguem entrar na sede da fazenda sob escolta da Polícia Federal.
Segundo um dos proprietários da fazenda, Pedro Paulo Tormena, ao entrar na propriedade pela primeira vez nesse final de semana, após a invasão, foi constatado diversos atos de vandalismo, entre eles, a invasão da sede da propriedade e a destruição do sistema de cercas elétricas que mantinha o gado em piquetes.
De acordo com relatos repassados por outros produtores rurais que tem propriedades na área invadida, ao Sindicato Rural de Iguatemi, que tem acompanhando de perto a invasão no município vizinho, que não dispõe de um sindicato da categoria, atos de vandalismo praticado pelos invasores foram registrados em todas as propriedades invadidas.
Notícias veiculadas na imprensa do Estado no decorrer do final de semana apontavam que os invasores também teriam queimado a sede de uma das propriedades invadidas, mas informações levantadas pela reportagem do Grupo A Gazeta confirma que o que foi queimado na realidade não foi a casa, mas sim uma madeira que estava empilhada próxima a sede.
O sitiante José Joaquim Nascimento, de 91 anos, tem uma propriedade de 14,5 alqueires legalmente documentada na área invadida desde o ano de 1968.
Durante a invasão de 2003 ele foi expulso do sítio pelos indígenas e teve grandes prejuízos, com a casa danificada e vários animais abatidos.
Desgostoso com a situação, quando a ocupação terminou, ele vendeu todos os animais que sobraram, comprou uma casa humilde na cidade de Iguatemi e arrendou o sítio, de onde tirou o sustento durante grande parte da sua vida.
“O arrendatário já me contou que o sitio foi invadido novamente”, disse José Joaquim a reportagem do A Gazeta.
Produtor está Isolado
O produtor Pedro Fernandes Neto, proprietário da Fazenda São Jorge, a antiga Agrolak, uma das primeiras a serem invadidas em 2003, após a nova invasão, se recusou a deixar a propriedade rural e foi isolado na sede da fazenda pelos indígenas.
Na manhã dessa quinta-feira (28), a reportagem do Grupo A Gazeta, juntamente com uma equipe da TV Morena, tentou ter acesso ao produtor rural, mas foi barrada pelos indígenas, que montaram uma espécie de “guarita” no portão de acesso a sede da fazenda e impedem a passagem.
A equipe de TV informou que buscaria apoio da Polícia Federal para tentar chegar até o produtor isolado.
Governo do Estado “lavou as mãos”
Em reunião improvisada com representantes de sindicatos rurais da região, durante visita a cidade de Iguatemi na semana passada, o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, praticamente “lavou as mãos” em relação à questão.
O governador disse que, o Estado está de mãos atadas em relação a agir no sentido de desocupar áreas invadidas por indígenas por se tratar de jurisprudência federal.
Ele orientou aos produtores a pressionarem a Polícia Federal, com a elaboração de boletins de ocorrência e a Justiça Federal e o Governo Federal para fazerem cumprir a lei.
Produtores temem “banho de sangue”
A classe produtora da região teme que as invasões das propriedades rurais em Japorã sem que haja reação por parte das autoridades competentes, possa servir de precedente para novas invasões de propriedades em toda a região Cone Sul, o que poderá culminar em conflitos entre produtores e indígenas, provocando um “banho de sangue” no campo.
“O clima é tenso. Precisamos de um posicionamento imediato das autoridades competentes em relação à questão”, disse o presidente do Sindicato Rural de Iguatemi, Hilário Parise.
As ameaças de invasões de propriedades e da demarcação de terras produtivas para transformação em aldeias indígenas vêm afetando o desenvolvimento e a economia de toda a região Cone Sul do Estado de Mato Grosso do Sul.










